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Moleira do bebê: o que é normal, o que não é, e quando ligar para o pediatra

Como ela parece ao toque, quando cada fontanela fecha, o que significa a moleira funda e em que casos vale ligar para o pediatra.

Equipe editorial Kinedu
Pediatria & desenvolvimento infantil
Atualizado em 8 de out de 2026 10 min de leituraPublicado em 24 de ago de 2023
Moleira funda: o que é e quando se preocupar
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Você sabe o que é moleira funda? Essa condição pode assustar os pais, por isso é preciso entender quando ela é ou não é normal.

Uma das principais preocupações dos pais em relação ao recém-nascido diz respeito aos cuidados que se deve ter com a cabeça. Afinal, o pequeno ainda não tem os ossos do crânio fechados, o que requer uma atenção especial. Você já ouviu falar em moleira funda?

A moleira do bebêé o nome popular que se dá para as fontanelas. Por ser muito fina ainda, apresenta algumas variações que podem deixar os pais em alerta. Sendo assim, é preciso entender mais sobre o assunto para saber quando é a hora de levar a preocupação ao pediatra.

Neste post, trazemos informações importantes sobre o tema, que vão ajudar a compreender essa questão. Para conferir, basta continuar a leitura. Vamos lá?

Resposta rápida

Moleira funda é a fontanela afundada em relação ao crânio. Se o bebê está ativo e mamando bem, pode não ser nada; se ele está mais quieto que o normal, com lábios ressecados, choro sem lágrimas ou fralda seca por muito tempo, geralmente é desidratação, procure o pronto-socorro.

O que é a moleira (fontanela) do bebê?

Se você já conviveu com algum bebê na família, provavelmente já ouviu falar sobre a moleira do bebê, e os cuidados que se deve ter com ela. Mas você sabe, exatamente, o que é a moleira? Embora nosso crânio pareça uma esfera sólida, ele é composto por vários ossos que se juntam em um tecido conjuntivo denso chamado sutura.

O recém-nascido não tem esses ossos juntos, havendo um espaço entre eles, que é o que chamamos de moleira. É ela que permite que a cabeça do bebê passe pelo canal vaginal e que o cérebro tenha espaço para se desenvolver e crescer durante os primeiros meses de vida da criança.

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Por isso, não se espante se o recém-nascido tiver a cabeça em uma forma cônica nas primeiras horas após o parto. Isso acontece porque as placas ósseas são macias e podem se comprimir e sobrepor para que a cabeça passe pelo canal vaginal, que é estreito. Esse processo é chamado de moldagem.

Esse formato de cone na cabeça do recém-nascido é mais comum em bebês que se encaixam na pélvis da mãe bem antes do nascimento ou naqueles que passam por longas horas de trabalho de parto. Aliás, não são raros os casos em que dá para sentir “calombinhos” no crânio do pequeno.

Na verdade, são os lugares onde as placas ósseas se sobrepuseram, por isso não há com o que se preocupar. Nos próximos dias, a tendência é que o crânio se arredonde e as saliências desapareçam.

Quais são os tipos de moleira do bebê?

Existem duas moleiras: a anterior e a posterior. A primeira fica onde ocorrerá a junção entre os 2 ossos frontais e os 2 parietais. Ela permanece mole até os 18 a 24 meses. É por ela que o médico consegue avaliar se há um aumento da pressão craniana.

Já a segunda é onde ficará a junção dos 2 ossos parietais e do osso occipital. Geralmente, ela fecha durante os primeiros meses de vida do bebê, antes da fontanela anterior.

Como uma moleira normal parece ao toque

Essa é a dúvida que os pais mais repetem e que quase nunca recebe resposta direta, então vai primeiro: você pode tocar a moleira do bebê sem medo. Ela parece frágil porque ali não existe placa de osso, mas a cabeça do bebê foi feita para aguentar o manejo normal do dia a dia: dar banho, secar, pentear, carregar, colocar gorro.

O que se sente ao passar os dedos, e que costuma assustar na primeira vez:

  • Uma área mole e plana. Não deve parecer um buraco fundo nem uma bolinha que salta. Plana ou muito levemente afundada é o comum.
  • Uma pulsação suave. É o pulso do bebê e aparece mais quando ele está deitado, chorando ou acabou de mamar. Pulsar não é sinal de nada errado.
  • Saliências ou bordas. Nas primeiras semanas dá para sentir cristas onde as placas do crânio se sobrepuseram na passagem pelo canal de parto. Elas se acomodam sozinhas conforme o bebê cresce.
  • Mudança com a posição. Pode parecer mais afundada com o bebê sentado e mais cheia com ele deitado. Isso também é normal.

Duas coisas que se parecem e não são a mesma: a moleira é a área mole entre os ossos, e a cabeça em formato de cone dos primeiros dias é outra coisa. A cabeça alongada depois de um parto longo se arredonda sozinha nas semanas seguintes.

O que vale cuidar não é o toque, é o que pode bater ali: quinas de móveis na altura do bebê, brinquedo com ponta e irmão mais velho carregando sem supervisão.

Quando cada fontanela fecha, mês a mês

O bebê não tem uma moleira só. Tem duas principais, cada uma com seu tempo, e é essa linha do tempo que o pediatra acompanha nas consultas de rotina.

  • Fontanela posterior (lambda), de 0 a 3 meses. É a menor, do tamanho da unha do dedo mínimo, e fecha primeiro. Em muitos bebês já quase não se acha com um ou dois meses de vida.
  • Fontanela anterior (bregma), de 9 a 24 meses. É a grande, em forma de losango, a que todo mundo chama de moleira. O mais comum é fechar entre 12 e 18 meses, mas a faixa normal é larga e há bebês com ela aberta até perto dos 2 anos.

Um detalhe que ajuda a não se assustar: a fontanela anterior costuma crescer antes de fechar. Nos primeiros meses pode parecer maior do que era no nascimento, porque o cérebro está crescendo rápido e o crânio vai abrindo espaço. Isso não quer dizer que algo esteja errado.

O pediatra não olha só se está aberta ou fechada. Olha isso junto com o perímetro cefálico, o peso e a altura. Por isso a pergunta útil na consulta não é "já fechou?" e sim "como ela vem junto com o perímetro cefálico?". É acompanhamento, não diagnóstico: a medição serve para ver a tendência ao longo dos meses.

Vale uma ligação para o pediatra se ela fechar muito cedo, se seguir claramente aberta depois dos 2 anos, ou se parecer bem maior ou bem menor do que vinha sendo. Nenhuma das três se resolve medindo em casa.

O que é moleira funda e quando me preocupar?

A moleira funda é exatamente o que o nome diz. A fontanela fica afundada em relação ao crânio. Se a criança se mantém ativa e bem, pode não ser nada. Porém, se ela estiver mais quieta do que o normal, pode significar alguns problemas: diabetes insipidusdesidratação e desnutrição.

Diabetes Insipidus

A diabetes insipidus é uma condição rara que pode estar associada a moleira funda e faz com que o bebê urine em grande volume e perca uma quantidade significativa de água, o que pode levar à desidratação. Os sintomas incluem aumento da sede, urina em grande volume e frequente, choro sem lágrimas e sinais de desidratação, como pele ressecada e sonolência excessiva.

Se houver suspeita de diabetes insipidus devido ao afundamento da moleira e aos sintomas mencionados, procure um médico para um diagnóstico adequado.

Desidratação

É a principal causa de preocupação com a moleira funda. A falta de líquidos no corpo pode causar o afundamento da fontanela e isso é um problema sério que deve ser levado ao médico imediatamente. Antes, observe se o seu bebê apresenta sinais como: pele e lábios ressecados, urina forte e escura, fralda seca por muito tempo, choro sem lágrimas e olhos afundados.

Além disso, é comum ficar com a respiração rápida, sede e sonolência. Caso você repare em um ou mais desses sinais junto à moleira afundada, encaminhe ao pronto-socorro, pois a desidratação em bebê pode ser grave.

Desnutrição

A desnutrição em bebês ocorre por vários motivos em que há alteração na absorção dos nutrientes, como intolerância alimentar ou doenças hereditárias. Os sintomas incluem diarreias frequentes, perda de apetite, mudança na cor da pele, sonolência, crescimento lento, moleira funda e outros. Esse também é um caso em que deve-se levar o bebê ao centro de urgência.

Quais são os cuidados com a moleira do bebê?

A moleira do bebê é tão delicada que muitos pais têm medo de tocar. Entretanto, saiba que, apesar de não haver uma placa óssea ali, o interior está bem protegido para o manuseio na rotina, como dar banho ou trocar de roupa.

Isso não significa que não é preciso ter cuidados; pelo contrário, é preciso ficar atento aos objetos pontiagudos que podem atingir a região, como quinas de móveis. Além do mais, irmãos e crianças mais velhas têm o costume de querer pegar o bebê.

Nessas horas, é imprescindível ser vigilante para que o recém-nascido não seja atingido com um brinquedo, por exemplo, que tenha alguma ponta.

Outro cuidado é em em relação às posições em que o bebê fica. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que os bebês durmam de barriga para cima para prevenir a Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI). Entretanto, para evitar o achatamento da cabeça, é importante segurar o seu bebê em diferentes posições durante o dia, bem como deixá-lo de bruços diariamente. O tempo de bruços é uma prática recomendada para ajudar a prevenir a pressão excessiva na moleira do bebê e promover o desenvolvimento saudável do crânio e dos músculos do bebê.

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Quais alterações podem acontecer com a moleira? Quando me preocupar?

Além da moleira funda, os pais percebem algumas alterações que podem preocupá-los. Por isso, é importante entender o que são para ficarem tranquilos ou recorrerem ao pediatra para uma opinião profissional. Veja quais são:

Moleira do bebê pulsando

É comum os pais repararem que o topo da cabeça do bebê parece pulsar. Apesar de isso causar certa “aflição”, é algo normal. Como a região não tem uma placa óssea, acaba refletindo a pulsação do sangue, que corresponde ao batimento cardíaco do pequeno.

Moleira que não fecha

A moleira deve fechar até os 18 meses, aproximadamente. Se você perceber que, nessa época, a moleira ainda não está fechada, é importante levar o seu bebê ao médico para uma avaliação profissional.

Moleira do bebê alta

A moleira alta, mas flexível ou almofadada, é algo normal e que não apresenta problema. No entanto, se você perceber que está alta e tensa, pode ser um sinal de pressão intracraniana por alguma razão. Nesse caso, é fundamental encaminhar o bebê para a urgência médica.

Craniossinostose

A craniossinostose é uma condição em que os ossos do crânio do bebê podem se unir mais cedo do que o normal. Como isso acontece antes que o cérebro esteja totalmente formado, o crescimento do órgão pode tornar o crânio deformado. A causa disso é genética e precisa de acompanhamento médico.

Como você pôde conferir, a moleira funda em si não é um problema, mas pode ser sinal de um. Portanto, além de observar a fontanela do bebê, é preciso analisar outros sintomas que podem indicar desidratação ou desnutrição. Aqui, vale reforçar a importância do acompanhamento com o pediatra para avaliar qualquer alteração na região e deixar os pais mais tranquilos.

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Perguntas frequentes sobre a moleira funda

O que é a moleira do bebê?

É o nome popular das fontanelas, os espaços entre os ossos do crânio do recém-nascido. Ela permite que a cabeça passe pelo canal de parto e dá espaço para o cérebro crescer nos primeiros meses de vida.

Moleira funda é sempre um problema?

Não necessariamente. Se o bebê está ativo e bem, pode não ser nada. O sinal de alerta é a moleira afundada junto com um bebê mais quieto que o normal, nesse caso, pode indicar desidratação, desnutrição ou, mais raramente, diabetes insipidus.

Quais sinais de desidratação devo observar?

Pele e lábios ressecados, urina forte e escura, fralda seca por muito tempo, choro sem lágrimas, olhos afundados, respiração rápida e sonolência. Se notar um ou mais desses sinais junto com a moleira funda, vá ao pronto-socorro, a desidratação em bebê pode ser grave.

Posso tocar ou lavar a moleira do bebê?

Pode. Apesar de não haver uma placa óssea ali, o interior é bem protegido para o manuseio da rotina, como dar banho e trocar de roupa. O cuidado é com objetos pontiagudos, como quinas de móveis, e com crianças maiores ao segurar o bebê.

Até quando a moleira fica aberta?

A fontanela posterior fecha nos primeiros meses de vida; a anterior permanece mole até os 18 a 24 meses. Se por volta dos 18 meses a moleira ainda não fechou, leve o bebê ao médico para uma avaliação.

É normal a moleira do bebê pulsar?

Sim. Como a região não tem placa óssea, ela reflete a pulsação do sangue, acompanhando os batimentos cardíacos do pequeno, não é motivo de preocupação.

Posso tocar a moleira do bebê?

Sim. A cabeça do bebê aguenta o manejo normal do dia a dia, como banho, secar e pentear. O que vale cuidar são as batidas: quinas de móveis, brinquedo com ponta e irmão mais velho carregando sem supervisão.

Como a moleira do bebê deve parecer ao toque?

Mole e plana, ou muito levemente afundada. É normal sentir uma pulsação suave e, nas primeiras semanas, saliências onde as placas do crânio se sobrepuseram no nascimento. Também pode parecer mais afundada com o bebê sentado e mais cheia com ele deitado.

As fontanelas fecham com quantos meses?

A posterior, chamada lambda, fecha entre 0 e 3 meses. A anterior, chamada bregma, entre 9 e 24 meses, e o mais comum é entre 12 e 18. A faixa normal é larga, por isso o pediatra acompanha junto com o perímetro cefálico em cada consulta.

Qual a diferença entre bregma e lambda?

São as duas fontanelas principais. O bregma é a da frente, em forma de losango, a que todo mundo chama de moleira, e é a última a fechar. O lambda é a de trás, bem menor, do tamanho da unha do dedo mínimo, e fecha nos primeiros meses.

O que significa a moleira alta ou abaulada?

É o contrário da moleira funda e vale checar com o pediatra. Ela pode parecer mais cheia quando o bebê chora, vomita ou está deitado, e isso passa sozinho quando ele se acalma. Se seguir abaulada e firme com o bebê calmo e sentado, é motivo de consulta.

Dr. Mariana Cruz
Kinedu editorial team · Pediatric development

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